quarta-feira, 25 de setembro de 2024
O caso de Katharina
terça-feira, 17 de setembro de 2024
MISS LUCY R.
MISS LUCY R. é o pseudônimo do segundo caso clínico apresentado por Freud nos “Estudos sobre a histeria”. Trata-se de uma governanta britânica atendida durante nove semanas, a partir do início de dezembro de 1882.
De trinta anos de idade, encaminhada por um colega médico que a tratava de uma rinite purulenta crônica, sujeita a frequentes recaídas, essa “jovem inglesa de constituição delicada”,governanta na residência do diretor-gerente de uma fábrica nos arredores de Viena, já havia perdido completamente o olfato, sofria de analgesia no nariz, e afundava num estado depressivo acompanhado de alucinações olfativas de cheiros de pudim queimado, que logo foram classificadas por Freud como de origem histérica.
“Resolvi, então, tomar como ponto de partida da análise esse odor de pudim queimado.”
Mas o tratamento, que poderia ter sido rápido, foi mais difícil de conduzir, porque a paciente, que trabalhava, só podia ir ver Freud durante o seu horário de consultas, o que fazia com que ele não lhe pudesse dedicar mais do que “alguns instantes”,contrariamente às facilidades de que se beneficiavam os pacientes visitados em suas residências, ou recebidos em horários previamente combinados.
“Costumávamos, portanto, interromper nossa conversa em meio a seu curso, e retomar o fio da meada no mesmo ponto, na visita seguinte. Miss Lucy R. não cedeu ao sonambulismo quando tentei hipnotizá-la. Assim, abri mão do sonambulismo e conduzi toda a sua análise enquanto ela se encontrava num estado que, a rigor, talvez não fosse muito diferente de um estado normal.”
Foi por ocasião do relato desse caso que Freud fez, pela primeira vez, uma exposição detalhada de seu novo modo de proceder.
“Quando, portanto, minha primeira tentativa não me conduzia nem ao sonambulismo, nem a um grau de hipnose que acarretasse modificações físicas marcantes, eu abandonava de modo ostensivo a hipnose e pedia apenas ‘concentração’; e ordenava ao paciente que se deitasse e deliberadamente fechasse os olhos, como meio de alcançar essa ‘concentração’.Resolvi partir do pressuposto de que meus pacientes sabiam tudo o que tinha qualquer significado patogênico, e que se tratava apenas de uma questão de os obrigar a comunicá-lo.”
O esquecimento era muitas vezes intencional e desejado, e seu êxito nunca era nada além de uma aparência. Isto porque, aquilo que era esquecido, era algo insuportável para o sujeito.
“Colocava a mão na testa do paciente ou lhe tomava a cabeça entre minhas mãos e dizia: ‘Você pensará nisso sob a pressão da minha mão. No momento em que eu relaxar a pressão, verá algo à sua frente, ou algo aparecerá em sua cabeça. Agarre-o. Será o que estamos procurando. – E então, o que foi que viu, ou o que lhe ocorreu?’. Desde então, esse procedimento quase nunca me decepcionou.”
A sugestão era de tal ordem, que lhe bastava afirmar ao paciente ser impossível ter falhado, para conseguir “extorquir-lhe a informação desejada”.
Mas neste caso, o ato de ligar fatos e falar não eliminou os sintomas e nem modificou seu estado de depressão e angústia. O que aconteceu foi um enfraquecimento do sintoma (sentir cheiro de pudim queimado quando ficava agitada) conforme a paciente falava dele, ligando-o a outros fatos, outros acontecimentos.
Não satisfeito com este resultado (típico de um tratamento sintomático, em que se elimina um sintoma para que seu lugar seja ocupado por um outro), Freud dedicou-se à tarefa de eliminar este novo símbolo mnêmico através da análise.
Após ter feito Miss Lucy R. reconhecer que estava apaixonada pelo viúvo de cujos filhos era a preceptora, e apesar da contribuição de um tratamento hidroterápico que ele não deixou de prescrever, Freud ficou surpreso ao vê-la de volta, após as festas natalinas, sem apresentar nenhuma melhora real. Mais do que isso, ela tinha substituído o cheiro de pudim queimado, ligado ao amor oculto por seu patrão, pelo cheiro de fumaça de charuto.
Sob a pressão das mãos de Freud, uma outra cena em que o patrão a recriminava por não ter impedido que uma visita beijasse seus filhos, demonstrou que ela tinha compreendido que o viúvo não a amava – lembrança ligada a uma outra cena de fim de refeição, quando a sala foi invadida pela fumaça de charutos. Esse reconhecimento acarretou, então, a cura completa, em fins de janeiro de 1893.
Freud voltou a vê-la em perfeita saúde em maio/junho de 1893, e nunca mais se ventilou a questão que surgiria, igualmente a propósito de fumaça, no seu tratamento de Dora – pois nenhum paciente podia ignorar a paixão que Freud tinha pelos charutos. Nada existe da natureza de uma “neurose de transferência”reconhecida no que Freud viu e descreveu desses primeiros tratamentos que, aliás, ainda têm muito pouco a ver com o futuro tratamento psicanalítico. São importantes, porém, além do interesse em ver Freud “ao vivo”, em sua atividade de terapeuta, porque nos informam sobre a sua progressão teórico-clínica. No que se refere a Miss Lucy R., com o abandono da hipnose, é a certeza que ele adquiriu de um conhecimento íntimo, mas recalcado, que os pacientes têm da origem do sintoma – donde a importância dos recursos a empregar, para vencer a resistência à rememoração.
Esta biografia segue as diretrizes do verbete redigido por Alain de Mijolla para o DICIONÁRIO INTERNACIONAL DA PSICANÁLISE.
Fonte: www.revistavortice.com.br
Crédito foto: http://caminhodapsicologia.webnode.com.pt/psicanalise/
https://hypersonic2012.wordpress.com/miss-lucy-r/
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
O caso de Anna O. | Christian Dunker ...
@JefftheGeek Comenta no vídeo em questão, acima, sobre TRANSFERÊNCIA
Ela queria sair de casa, e sofria por causa da inibição por parte dos pais - ela começa a desenvolver por meio dessas proibições, uma série de sintomas. Esse seria o começo da histeria:
Uma limitação social por causa dos nossos afetos negativos - raiva e assim por diante; nos fazem reter o afeto, dissociando a Consciência e deslocando-se para uma parte do corpo. Freud por outro lado, dizia que esses afetos seriam especificamente de cunho sexual.
1. Foi repreendida por não notar o pai na sala - ela reprimiu esse afeto negativo, levando ela à contornar isso ao ignorar outras pessoas;
2. Foi repreendida pelo pai, por estar numa conversa e ter saído dela, sendo indelicada - não compreendendo ao estar numa conversa com várias pessoas, perdendo sua concentração;
3. Seu irmão a sacudia, empurrando e assustando ao escutar coisas no quarto ou porta dos pais - esse susto, voltava no sintoma de surdez seletiva;
4. O pai sofria certos ataques - levando a imitar o comportamento do pai, ao se assustar por pequenos barulhos, por mímica como se fosse o pai;
A partir da fala, existe uma pequena "cura falada", apesar de criarem-se novos sintomas - nisso, Freud percebe que ela começa a se envolver afetivamente com ele.
- O que faz com que a paciente crie uma certa fantasia, com esse que está cuidando do seu médico? Seja fantasia, identificação, laço amoroso - chama-se de TRANSFERÊNCIA.
SÍNTESE CRÍTICA: "CASO 2 - SRA EMMY VON N., IDADE 40 ANOS, DA LIVÔNIA" (FREUD, 1990)
O caso de Emmy Von N. foi considerado o primeiro caso clínico de Freud, o qual foi iniciado em 1º de maio de 1889. A paciente apresentava um complexo caso de histeria, no qual possuía muitos sintomas conversivos e delírios, envolvendo seu medo de animais, memórias fantasiosas sobre experiências passadas e visíveis dificuldades para lidar com situações inesperadas, como, por exemplo, apresentava uma forte reação ao entrar alguém sem avisar em seu quarto.
O método terapêutico usado por Freud, inicialmente, consistia na técnica de hipnose, já que a paciente possuía facilidade para entrar em tal estado, que proporcionava que a paciente conseguisse falar sobre seus traumas passados de forma racional, como também, um alívio dos seus sintomas. Além de ser oferecido a paciente um tratamento com banhos quentes e massagens, para alívio de suas dores.
Durante o processo de investigação do caso, Freud explorou várias técnicas para tratar a paciente, portanto, não tinha um método pronto para o tratamento, mas foi desenvolvendo-o ao longo do caso. Com isso, também cometeu erros e acertos ao longo do tratamento, contudo, a partir desse caso, quando Emmy Von N. pediu para que Freud não a hipnotizasse e deixasse-a falar, conseguiu elaborar o conceito de Livre Associação e permitindo a "cura pela fala", um dos principais pontos da psicanálise freudiana.
A partir da leitura e discussão a respeito do caso, é possível observar algumas falhas no método de tratamento usado por Freud, que consistem em uma enorme quantidade de sugestões nas sessões de hipnose e interpretações pouco elaboradas para as histórias fantasiosas da paciente. Com isso, gerando uma dúvida na real eficácia do método na melhora da paciente a longo prazo e na precisão do diagnóstico.
Entretanto, como primeiro caso de Freud, teve uma influência imprescindível para a elaboração de maiores conceitos psicanalíticos e do desenvolvimento da análise, tornando maior a eficácia e a precisão. Porém, atualmente, a técnica da hipnose ainda é bastante questionada em sua efetividade, assim como a psicanálise é questionada por outras abordagens dentro da Psicologia.
FONTE:
https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-estadual-de-londrina/introducao-aos-processos-clinicos-pac-20pep-20psi20/sintese-critica-caso-2-sra-emmy-von-n-idade-40-anos-da-livonia-freud-1990/5151988?origin=university-course-page
REFERÊNCIAS
FREUD, S. Estudos sobre a histeria. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. 2. Rio de Janeiro: Imago, 1990
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
Casos Clínicos: O Caso Anna O.
O Caso Anna O. foi um caso clínico de histeria atendido por Josef Breuer, entre os anos de 1880 e 1882. Em 1895, Sigmund Freud e Breuer lançaram o livro Estudos Sobre a Histeria e o caso Anna O. foi o primeiro caso clínico a ser apresentado neste livro, junto com os casos: Emmy Von N., Miss Lucy R., Katharina e Srta. Elizabeth Von R..

