sexta-feira, 25 de agosto de 2023
O estádio do Espelho
O estádio do Espelho é um momento particular da vida psíquica da criança, processo de maturação, no qual ela vive uma experiência de identificação fundamental e faz a conquista da imagem de seu próprio corpo. A identidade primordial da criança com esta imagem promoverá a pré-formação do “Eu”, pois favorecerá a percepção da unidade do corpo próprio, que até o momento era do nível de uma dispersão angustiante, possibilitando o fim da vivência psíquica descrita por Lacan como o “fantasma do corpo esfacelado”.
“O estádio do Espelho é um drama cujo alcance interno se precipita da insuficiência para a antecipação e que, para o sujeito, tomado no equívoco da identificação espacial, urde os fantasmas que se sucedem de uma imagem esfacelada do corpo para uma forma que chamaremos ortopédica de sua totalidade”(J. Lacan, ibid, pag.97). Essa experiência singular da criança pode ser compreendida em três tempos fundamentais.
O primeiro tempo corresponde ao momento em que a criança percebe a imagem do seu corpo e pensa que aquilo é um ser real, ou seja, há uma confusão entre si e o outro, que é confirmada pela relação esteriotipada que mantém com os semelhantes. É no outro que a criança, nesse momento, se vivencia e se orienta, um trasitivismo normal, pois quando a criança bate diz ter sido batida, quando vê a outra cair, chora.
O segundo tempo corresponde a uma etapa de processo identificatório, pois é levada a perceber que o outro no espelho não é real, e sim uma imagem, e ela aprende a distinguir a imagem do outro da realidade do outro.
O terceiro tempo é o momento da identificação primordial, porque além de ela estar segura de que o reflexo no espelho é apenas uma imagem e que é dela, recupera a dispersão do corpo desfacelado em uma unidade. Essa conquista da unidade corporal, e conseqüentemente, a conquista da identidade do sujeito, se dá em uma dimensão imaginária, pois é a partir de algo virtual (a imagem ótica) que ela se identifica.
Lacan, J., ibid., apud Dor, Joël. Introdução à leitura de Lacan: o inconsciente estruturado como linguagem. 3ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
Por Rosinéia Luiza Gass
rosineiagass@hotmail.com
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