quarta-feira, 30 de outubro de 2024

O caso de Elisabeth von R.,


 No vídeo de hoje abordamos o caso de Elisabeth von R., atendida por Freud em 1892 e que foi publicado como o quinto e último caso dos "Estudos sobre Histeria".

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Histeria conversiva: quando a dor psíquica se torna dor física

 

O que é histeria?

histeria é uma forma de neurose caracterizada por excessos emocionais e certa teatralidade de suas diversas manifestações.

São reconhecidos dois diferentes tipos do distúrbio: (1) transtornos dissociativos e (2) transtornos somatiformes. Transtornos dissociativos são distúrbios psicológicos que envolvem uma dissociação ou interrupção da consciência, incluindo identidade e memória com fuga dissociativa, transtorno dissociativo de identidade e amnésia dissociativa. O transtorno somatiforme, por sua vez, é uma classe de distúrbio psicológico que se manifesta por sintomas somáticos que não têm uma causa física, embora imitem doenças ou ferimentos reais. Esses distúrbios incluem, entre outros, a histeria de conversão.

O que é histeria de conversão?

O transtorno conversivo, também conhecido como transtorno de conversão, é um distúrbio psicológico no qual os sintomas físicos se manifestam sem uma causa médica identificável. Esses sintomas podem ser variados e afetar diferentes partes do corpo, incluindo movimentos motores, sensibilidade sensorial e funções motoras.(https://maestrovirtuale.com/)


Histeria de conversão é a situação em que um conflito psíquico se converte simbolicamente em sintomas corporais, sejam eles de maior intensidade e rapidamente transitórios ou mais duradouros. Esses sintomas costumam ocorrer a partir de algum gatilho psicológico ou em resposta a situações estressantes.

Quais são as causas da histeria de conversão?

A teoria psicanalítica entende que o transtorno de conversão é devido à repressão de conflitos psíquicos inconscientes que se convertem em sintomas físicos. Contudo, alguns achados organicistas sugerem também uma base somática para explicar a histeria de conversão. Assim, a neuroimagem de pacientes com distúrbios de conversão indica hipofunção do hemisfério dominante e hiperatividade do lado não dominante.

ressonância magnética funcional revela que o córtex orbito frontal e o giro cíngulo anterior são ativos na mediação de um efeito inibitório no movimento e sensação em pacientes com queixas sensoriais e motoras psicogênicas. Testes neuropsicológicos mostram evidências de que a atenção e memória de curto prazo estão prejudicadas na histeria de conversão.

A teoria da aprendizagem, por sua vez, acredita que os sintomas se desenvolvem a partir do condicionamento. Tais sintomas também podem ser vistos como uma forma de comunicação física de uma ideia ou sentimento emocionalmente carregado, quando alguém, por qualquer motivo pessoal, é incapaz de verbalizar o conflito. Outros achados neuroanatômicos foram observados em pacientes com transtorno de conversão.

Qual é o mecanismo da histeria de conversão?

Embora os sintomas de conversão pareçam um distúrbio físico, nada há de físico que os justifique, porque eles resultam de uma fonte psicológica. De acordo com o modelo psicodinâmico, inaugurado por Freud, os sintomas são uma consequência de um conflito emocional, com a repressão dele no inconsciente gerando ansiedade que posteriormente se converte em sintomas.

Esse tipo de relação mente-corpo foi e continua sendo chamado de conversão. Com isso, o paciente tem ganhos primário e secundário. O ganho primário permite que o paciente expresse o conflito que foi suprimido inconscientemente, diminuindo assim a ansiedade; com o ganho secundário, os sintomas permitem que o paciente obtenha benefícios de várias naturezas, por exemplo, evitando situações desagradáveis ou angariando apoio de amigos, familiares e do sistema médico. Contudo, teorias socioculturais e comportamentais procuram explicar os sintomas de conversão em outras bases, mais objetivas.

A ideia de que o distúrbio de conversão não tem uma base orgânica recebe também alguma contestação. Muitos pacientes diagnosticados com histeria de conversão mais tarde acabam sendo diagnosticados com doença neurológica pré-existente. De fato, distúrbios de conversão frequentemente são observados em pacientes com história pregressa de lesão do sistema nervoso central.

A ocorrência simultânea de doença cerebral orgânica com sintomas de conversão também é observada, principalmente na observação de altas taxas de síndromes convulsivas orgânicas associadas a crises assemelhadas, não-epilépticas, psicogênicas. Estudos familiares também mostraram que os sintomas de conversão em parentes do primeiro grau são até 14 vezes maiores do que na população geral.

Quais são as principais características da histeria de conversão?

Os sintomas físicos da histeria de conversão não permitem encontrar nenhuma razão somática para eles. Normalmente, os sintomas físicos da síndrome afetam os sentidos ou os movimentos e podem ser agudos, sob a forma de crises emocionais, com teatralidade e/ou desmaios, ou mais duradouros, como transtornos do equilíbrio e incoordenação motora, cegueira, paralisia parcial ou total, incapacidade de falar, surdez, perda da voz ou da visãodormência, dificuldade para engolir, incontinência, problemas de equilíbrio, convulsões, tremores, dificuldade para andar, sensação de nódulo na garganta e “convulsões” psicogênicas, entre outros.

Os sintomas ou déficits, embora “fabricados” (involuntariamente) pelo próprio paciente, causam sofrimentos e prejuízos significativos nas áreas sociais, ocupacionais ou outras.

Como o médico diagnostica a histeria de conversão?

diagnóstico de um sintoma como pertencente à histeria de conversão deve ser feito clinicamente, levando-se em conta a história médica do paciente e a diferenciação dele com sintomas de causa orgânica que ele imita.

Os sintomas da histeria de conversão têm algumas características definidoras:

  1. Os sintomas surgem à raiz de um conflito psicológico, seja de forma aguda, em que o paciente se sinta humilhado, desprezado ou abandonado, seja de forma mais duradoura, como consequência de um conflito psicológico duradouro.
  2. Incidem sobre funções motoras ou sensitivas voluntárias.
  3. Referem-se exclusivamente a uma única função ou estrutura orgânica.
  4. Não podem ser explicados por qualquer outro motivo físico ou mental.
  5. Obedecem à anatomia e fisiologia conforme são leigamente entendidas e não como condições médicas ou neurológicas cientificamente reconhecidas, por exemplo, a noção de metâmeros é desconhecida do leigo e, portanto, não é seguida na concepção dos sintomas conversivos.
  6. Guardam sempre algo de bizarro e incomum, quando comparados aos sintomas verdadeiramente físicos.
  7. Os pacientes se apresentam incrivelmente calmos ante os sintomas, mesmo que de aparente gravidade (“La belle indifférence”, dos psicopatólogos).

Como tratar a histeria de conversão?

Ao acreditar-se que os conflitos inconscientes têm um papel importante nos distúrbios de conversão, deve-se admitir que os pacientes podem conseguir a resolução do conflito uma vez que estejam conscientes dessa conexão, o que se consegue por meio da terapia psicanalítica. Normalmente, muitos pacientes que sofrem de um distúrbio de conversão são incapazes de entender esse conflito interno.

A internação hospitalar pode ser considerada em alguns casos, nos quais também podem ser feitos, concomitantemente, uma investigação paralela de fatores físicos que devem ser excluídos.

Ao comunicar o diagnóstico ao paciente, o médico deve observar alguns cuidados:

  1. Não incentivar o ganho secundário que o paciente está buscando.
  2. Evitar intervenções diagnósticas e terapêuticas invasivas.
  3. Evitar dar ao paciente a impressão de que não há nada de errado com ele.
  4. Não informar apressadamente ao paciente o diagnóstico, num primeiro encontro.
  5. Garantir ao paciente que os sintomas são muito reais, apesar da falta de um diagnóstico orgânico.
  6. Fornecer exemplos comuns de emoções que produzem sintomas (por exemplo, estômago enjoado quando se fala na frente de um grande público, coração acelerado quando alguém muito querido solicita um encontro, etc.)
  7. Fornecer exemplos de como o subconsciente influencia o comportamento (por exemplo, roer as unhas, andar de um lado para o outro, balançar as pernas, etc.)
  8. Fornecer a garantia de que nenhuma evidência de um distúrbio neurológico subjacente está presente.
  9. Fornecer reforço positivo para que os sintomas possam melhorar espontaneamente.
  10. Garantir aos pacientes que os sintomas são involuntários e ninguém acredita que eles estejam fingindo.

Nenhuma terapia farmacológica específica está disponível para o transtorno de conversão; entretanto, medicamentos para transtornos de humor e ansiedade que geralmente estão associados a ele devem ser considerados. A psicoterapia é frequentemente útil para fornecer aos pacientes uma saída sintomática do ego, já que eles estão recebendo um tratamento benigno ao qual podem responder e melhorar.

ABCMED, 2019. Histeria conversiva: quando a dor psíquica se torna dor física. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1339608/histeria-conversiva-quando-a-dor-psiquica-se-torna-dor-fisica.htm>. Acesso em: 9 out. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.
FONTE:
https://www.abc.med.br/

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O caso de Katharina

"No vídeo de hoje abordamos o caso de Katharina,

atendida por Freud em 1893 e que foi publicado como o quarto caso
dos cinco dos "Estudos sobre Histeria".
 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

MISS LUCY R.


 


MISS LUCY R. é o pseudônimo do segundo caso clínico apresentado por Freud nos “Estudos sobre a histeria”. Trata-se de uma governanta britânica atendida durante nove semanas, a partir do início de dezembro de 1882.

De trinta anos de idade, encaminhada por um colega médico que a tratava de uma rinite purulenta crônica, sujeita a frequentes recaídas, essa “jovem inglesa de constituição delicada”,governanta na residência do diretor-gerente de uma fábrica nos arredores de Viena, já havia perdido completamente o olfato, sofria de analgesia no nariz, e afundava num estado depressivo acompanhado de alucinações olfativas de cheiros de pudim queimado, que logo foram classificadas por Freud como de origem histérica.

Resolvi, então, tomar como ponto de partida da análise esse odor de pudim queimado.

Mas o tratamento, que poderia ter sido rápido, foi mais difícil de conduzir, porque a paciente, que trabalhava, só podia ir ver Freud durante o seu horário de consultas, o que fazia com que ele não lhe pudesse dedicar mais do que “alguns instantes”,contrariamente às facilidades de que se beneficiavam os pacientes visitados em suas residências, ou recebidos em horários previamente combinados.

Costumávamos, portanto, interromper nossa conversa em meio a seu curso, e retomar o fio da meada no mesmo ponto, na visita seguinte. Miss Lucy R. não cedeu ao sonambulismo quando tentei hipnotizá-la. Assim, abri mão do sonambulismo e conduzi toda a sua análise enquanto ela se encontrava num estado que, a rigor, talvez não fosse muito diferente de um estado normal.

Foi por ocasião do relato desse caso que Freud fez, pela primeira vez, uma exposição detalhada de seu novo modo de proceder.

Quando, portanto, minha primeira tentativa não me conduzia nem ao sonambulismo, nem a um grau de hipnose que acarretasse modificações físicas marcantes, eu abandonava de modo ostensivo a hipnose e pedia apenas ‘concentração’; e ordenava ao paciente que se deitasse e deliberadamente fechasse os olhos, como meio de alcançar essa ‘concentração’.Resolvi partir do pressuposto de que meus pacientes sabiam tudo o que tinha qualquer significado patogênico, e que se tratava apenas de uma questão de os obrigar a comunicá-lo.

O esquecimento era muitas vezes intencional e desejado, e seu êxito nunca era nada além de uma aparência. Isto porque, aquilo que era esquecido, era algo insuportável para o sujeito.

Colocava a mão na testa do paciente ou lhe tomava a cabeça entre minhas mãos e dizia: ‘Você pensará nisso sob a pressão da minha mão. No momento em que eu relaxar a pressão, verá algo à sua frente, ou algo aparecerá em sua cabeça. Agarre-o. Será o que estamos procurando. – E então, o que foi que viu, ou o que lhe ocorreu?’. Desde então, esse procedimento quase nunca me decepcionou.

A sugestão era de tal ordem, que lhe bastava afirmar ao paciente ser impossível ter falhado, para conseguir “extorquir-lhe a informação desejada”.

Mas neste caso, o ato de ligar fatos e falar não eliminou os sintomas e nem modificou seu estado de depressão e angústia. O que aconteceu foi um enfraquecimento do sintoma (sentir cheiro de pudim queimado quando ficava agitada) conforme a paciente falava dele, ligando-o a outros fatos, outros acontecimentos.

Não satisfeito com este resultado (típico de um tratamento sintomático, em que se elimina um sintoma para que seu lugar seja ocupado por um outro), Freud dedicou-se à tarefa de eliminar este novo símbolo mnêmico através da análise.

Após ter feito Miss Lucy R. reconhecer que estava apaixonada pelo viúvo de cujos filhos era a preceptora, e apesar da contribuição de um tratamento hidroterápico que ele não deixou de prescrever, Freud ficou surpreso ao vê-la de volta, após as festas natalinas, sem apresentar nenhuma melhora real. Mais do que isso, ela tinha substituído o cheiro de pudim queimado, ligado ao amor oculto por seu patrão, pelo cheiro de fumaça de charuto.

Sob a pressão das mãos de Freud, uma outra cena em que o patrão a recriminava por não ter impedido que uma visita beijasse seus filhos, demonstrou que ela tinha compreendido que o viúvo não a amava – lembrança ligada a uma outra cena de fim de refeição, quando a sala foi invadida pela fumaça de charutos. Esse reconhecimento acarretou, então, a cura completa, em fins de janeiro de 1893.

Freud voltou a vê-la em perfeita saúde em maio/junho de 1893, e nunca mais se ventilou a questão que surgiria, igualmente a propósito de fumaça, no seu tratamento de Dora – pois nenhum paciente podia ignorar a paixão que Freud tinha pelos charutos. Nada existe da natureza de uma “neurose de transferência”reconhecida no que Freud viu e descreveu desses primeiros tratamentos que, aliás, ainda têm muito pouco a ver com o futuro tratamento psicanalítico. São importantes, porém, além do interesse em ver Freud “ao vivo”, em sua atividade de terapeuta, porque nos informam sobre a sua progressão teórico-clínica. No que se refere a Miss Lucy R., com o abandono da hipnose, é a certeza que ele adquiriu de um conhecimento íntimo, mas recalcado, que os pacientes têm da origem do sintoma – donde a importância dos recursos a empregar, para vencer a resistência à rememoração.

 

Esta biografia segue as diretrizes do verbete redigido por Alain de Mijolla para o DICIONÁRIO INTERNACIONAL DA PSICANÁLISE.

 

Fonte: www.revistavortice.com.br

Crédito foto: http://caminhodapsicologia.webnode.com.pt/psicanalise/

https://hypersonic2012.wordpress.com/miss-lucy-r/

Caso MISS LUCY R. | Casos de Sigmund Freud [

 


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

O caso de Anna O. | Christian Dunker ...

 


@JefftheGeek Comenta no vídeo em questão, acima, sobre TRANSFERÊNCIA

 


Ela queria sair de casa, e sofria por causa da inibição por parte dos pais - ela começa a desenvolver por meio dessas proibições, uma série de sintomas. Esse seria o começo da histeria:

 

Uma limitação social por causa dos nossos afetos negativos - raiva e assim por diante; nos fazem reter o afeto, dissociando a Consciência e deslocando-se para uma parte do corpo. Freud por outro lado, dizia que esses afetos seriam especificamente de cunho sexual.

 


1. Foi repreendida por não notar o pai na sala - ela reprimiu esse afeto negativo, levando ela à contornar isso ao ignorar outras pessoas;

 

2. Foi repreendida pelo pai, por estar numa conversa e ter saído dela, sendo indelicada - não compreendendo ao estar numa conversa com várias pessoas, perdendo sua concentração;

 

3. Seu irmão a sacudia, empurrando e assustando ao escutar coisas no quarto ou porta dos pais - esse susto, voltava no sintoma de surdez seletiva;

 

4. O pai sofria certos ataques - levando a imitar o comportamento do pai, ao se assustar por pequenos barulhos, por mímica como se fosse o pai;

 


A partir da fala, existe uma pequena "cura falada", apesar de criarem-se novos sintomas - nisso, Freud percebe que ela começa a se envolver afetivamente com ele.

 

- O que faz com que a paciente crie uma certa fantasia, com esse que está cuidando do seu médico? Seja fantasia, identificação, laço amoroso - chama-se de TRANSFERÊNCIA.

Emmy von N. e a associação livre | Christian Dunker ...


 

SÍNTESE CRÍTICA: "CASO 2 - SRA EMMY VON N., IDADE 40 ANOS, DA LIVÔNIA" (FREUD, 1990)



O caso de Emmy Von N. foi considerado o primeiro caso clínico de 
Freud, o qual foi iniciado em 1º de maio de 1889. A paciente apresentava um complexo caso de histeria, no qual possuía muitos sintomas conversivos e delírios, envolvendo seu medo   de   animais,   memórias   fantasiosas   sobre   experiências   passadas   e   visíveis dificuldades para lidar com situações inesperadas, como, por exemplo, apresentava uma forte reação ao entrar alguém sem avisar em seu quarto.

O   método   terapêutico  usado por Freud, inicialmente,   consistia   na técnica de hipnose, já que a paciente possuía facilidade para entrar em tal estado, que proporcionava que a paciente conseguisse falar sobre seus traumas passados de forma racional, como também, um alívio dos seus sintomas. Além de ser oferecido a paciente um tratamento com banhos quentes e massagens, para alívio de suas dores.

Durante o processo de investigação do caso, Freud explorou várias técnicas para tratar a paciente, portanto, não tinha um método pronto para o tratamento, mas foi desenvolvendo-o ao longo do caso. Com isso, também cometeu erros e acertos ao longo do tratamento, contudo, a partir desse caso, quando Emmy Von N. pediu para que Freud não a hipnotizasse e deixasse-a falar, conseguiu elaborar o conceito de Livre Associação e permitindo a "cura pela fala", um dos principais pontos da psicanálise freudiana.

A partir da leitura e discussão a respeito do caso, é possível observar algumas falhas no método de tratamento usado por Freud,  que consistem  em uma enorme   quantidade   de   sugestões   nas   sessões   de   hipnose   e   interpretações   pouco elaboradas para as histórias fantasiosas da paciente. Com isso, gerando uma dúvida na real   eficácia   do   método   na   melhora   da   paciente   a   longo   prazo   e   na   precisão   do diagnóstico.

Entretanto,   como   primeiro   caso   de   Freud,   teve   uma   influência imprescindível   para   a   elaboração   de   maiores   conceitos   psicanalíticos   e   do desenvolvimento da análise, tornando maior a eficácia e a precisão. Porém, atualmente, a técnica da hipnose ainda é bastante questionada em sua efetividade, assim como a psicanálise é questionada por outras abordagens dentro da Psicologia.

 

FONTE:

https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-estadual-de-londrina/introducao-aos-processos-clinicos-pac-20pep-20psi20/sintese-critica-caso-2-sra-emmy-von-n-idade-40-anos-da-livonia-freud-1990/5151988?origin=university-course-page

REFERÊNCIAS

FREUD, S. Estudos sobre a histeria. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. 2. Rio de Janeiro: Imago, 1990

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Casos Clínicos: O Caso Anna O.


O Caso Anna O. foi um caso clínico de histeria atendido por Josef Breuer, entre os anos de 1880 e 1882. Em 1895, Sigmund Freud e Breuer lançaram o livro Estudos Sobre a Histeria e o caso Anna O. foi o primeiro caso clínico a ser apresentado neste livro, junto com os casos: Emmy Von N., Miss Lucy R., Katharina e Srta. Elizabeth Von R..


Posteriormente, o caso Anna O. acabou se tornando um dos casos mais importantes para a psicanálise, pois seria o caso que comprovaria a existência do inconsciente, defendido por Sigmund Freud a partir do livro Interpretação dos Sonhos, de 1900.

Um curiosidades é que, anos após a publicação do livro Estudos Sobre Histeria, descobriu-se que o nome verdadeiro de Anna O. era Berta Pappenheim. Enfim, neste vídeo, traremos um resumo do famoso caso Anna O.
SINOPSE DE ESTUDOS SOBRE HISTERIA:

No final do século XIX as neuroses que se manifestavam por meio de somatizações, alucinações e angústias eram chamadas de “histerias”. Para estudar esse fenômeno, Freud escreveu junto com o médico Breuer os Estudos sobre a histeria - obra essencial para a compreensão da psicanálise. Relatando os casos de cinco pacientes - entre elas a célebre Anna O. -, eles argumentam que os histéricos sofrem por haverem sufocado a memória dos eventos que originaram a doença. É preciso, então, trazer à luz esses traumas, inicialmente por meio da hipnose. Mas, como isso não funciona com alguns pacientes, Freud passa a recorrer à associação livre, tornando seu método ainda mais complexo.

SOBRE SIGMUND FREUD:

Sigmund Schlomo Freud foi um médico neurologista e psiquiatra criador da psicanálise. Freud nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco (atualmente, a localidade é denominada Příbor, e pertence à República Checa).

Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais. Ao observar a melhora dos pacientes tratados pelo médico francês Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da histeria era psicológica, e não orgânica. Essa hipótese serviu de base para outros conceitos desenvolvidos por Freud, como o do inconsciente.

Freud também é conhecido por suas teorias do complexo de édipo e da repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento das psicopatologias, através da escuta do paciente. Freud acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana. Sua obra fez surgir uma nova compreensão do ser humano, como um animal dotado de razão imperfeita e influenciado por seus desejos e sentimentos. Segundo Freud, a contradição entre esses impulsos e a vida em sociedade gera, no ser humano, um tormento psíquico.
Freud tinha uma visão biopsicossocial do ser humano. Fatos como a descrição de pacientes curados através do diálogo por Josef Breuer e a morte do colega Ernst von Fleischl-Marxow por dose excessiva do antidepressivo da época, a cocaína, levaram-no ao abandono das técnicas de hipnose e de drogas para criar um novo método: a cura pela fala, ou seja, a psicanálise, que utilizava a interpretação de sonhos e a livre associação como vias de acesso ao inconsciente.
Suas teorias e seus tratamentos foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Sua teoria é de grande influência na psicologia atual e segue se desenvolvendo através de estudos e prática clínica na área, com psicanalistas que vieram depois dele. Estes criaram suas próprias teorias, mas sempre com base nos pressupostos intrínsecos colocados por Freud, como a noção de inconsciente e transferência.

terça-feira, 14 de maio de 2024

Sigmund Freud • Recomendações ao médico para o tratamento psicanalítico



 Prática Psicoterapêutica de Freud à Partir do Seguinte Roteiro:

1. Quem é Sigmund Freud?

Médico neurologista que é considerado o pai da psicanálise. Viveu entre 1856 e 1939. Austríaco judeu que precisou se refugiar na Inglaterra no fim da vida, por causa do nazismo.

2. Fundamentos da clínica psicanalítica:

Coleção “Obras Incompletas de Sigmund Freud”, da Editora Autêntica. Volumes temáticos, com textos em ordem cronológica. Antologias temáticas que ajudam bastante iniciantes nos estudos sobre Freud.

3. Recomendações ao médico para o tratamento psicanalítico:

(Texto pequeno e importante que cobre as páginas 93-106) Escrito em 1912, organizado na forma de nove tópicos em letras, de a) até i). Apresenta algumas orientações para pessoas que querem começar a praticar a Psicanálise. Direcionado aos médicos, grupo originário da prática da psicanálise.

4. Orientações práticas de Freud

a) Sustentar atenção equiflutuante, de modo que possa manter a função inconsciente em primeiro plano, também para o psicanalista;

b) Fazer poucas anotações durante a sessão e deixar anotações mais detalhadas para o final do dia de trabalho;

c) Fazer anotações durante a sessão apenas quando o psicanalista tem a intenção de relatar o caso em uma publicação acadêmica;

d) Relatar casos de pacientes em publicações acadêmicas apenas ao fim do tratamento, de modo que a pesquisa não interfira negativamente no tratamento clínico;

e) Manter distanciamento emocional em relação ao que está sendo narrado pelo paciente durante as sessões, para evitar riscos à saúde do terapeuta, tanto quanto prejudicar o tratamento;

f) Dirigir para o inconsciente emissor do paciente o seu próprio inconsciente como órgão receptor e fazer autoanálise ou ser paciente de análise para que suas questões pessoais inconscientes não atuem de forma aleatória no seu trabalho;

g) Manter a subjetividade do terapeuta opaca para o paciente isso porque, embora a fala empática pareça facilitar uma relação de confiança com o paciente, também pode prejudicar a transferência em momentos em que a análise se aprofunda;

h) Resistir à tentação de indicar caminhos a serem trilhados pelo paciente ou de educá-lo, quando ele começa a superar seus limites de saúde psíquica;

i) Não solicitar a realização de tarefas intelectuais ao paciente, uma vez que é impossível saber quais seriam os limites e possibilidades de cada pessoa.



Tratamento psicanalítico: o que é e como iniciar


Na psicanálise, apenas a chegada de um paciente ao consultório não garante que uma análise ocorra. Para isto, a regra fundamental é a associação livre. Aquele convite que o psicanalista faz ao candidato à análise, para que fale tudo o que lhe ocorrer.

Dada essa regra, o analista precisa se ocupar de algumas condições que são importantes para o bom andamento do trabalho. 

Trata-se do pagamento, do divã e do tempo das sessões, que manejados por cada analista a seu modo têm sua importância por organizarem aquilo que conhecemos como “setting analítico”.

Mas ainda falta uma, essa que é a condição inicial, anterior à todas as outras. Vamos falar sobre as preliminares:  

O que se faz quando o paciente chega ao consultório?

Freud chamava de tratamento de ensaio. Lacan, por sua vez, chamou de entrevistas preliminares. Ambas as modalidades fazem referência ao momento inicial de toda análise.

Sua duração é incerta e pode ocorrer em apenas uma sessão, ou levar mais tempo.

As entrevistas preliminares são o período durante o qual há observação, definição e construção de alguns aspectos que ao se realizarem têm grandes chances de garantirem a continuidade do tratamento. Vamos à eles!

A transferência

Sabemos que a ligação do paciente ao analista é o motor de toda análise. Um dos critérios para escolha de um analista tem fundamento na crença de que ele sabe algo sobre o sintoma do paciente.

Ou seja, de acordo com Lacan, o analista ocuparia para aquele analisando a função de sujeito suposto saber. Atenção! Estamos falando de sujeito suposto e não de sujeito de fato. Como assim? 

Todo psicanalista deve estar advertido de que essa suposição do analisante é um equívoco. Mas um equívoco necessário, que precisa ser sustentado para que a transferência se dê. 

O diagnóstico 

Em psicanálise, o diagnóstico tem a função de orientar a direção do tratamento. Desta forma, o diagnóstico diferencial estrutural, que irá “revelar” tratar-se de uma neurose, perversão ou psicose, é uma tarefa cabível para as entrevistas preliminares. 

Para isto, a investigação centra-se nos modos de negação do Édipo que são associados a fenômenos que se presentificam na clínica e auxiliam nessa tarefa:

  • O recalque (Verdrängung) do neurótico;
  • A denegação (Verleugnung) da perversão;
  • A foraclusão (Verwerfung).

No neurótico, o fenômeno que revela a forma de negação é o sintoma; já na perversão, temos o fetiche e na psicose, por sua vez, a alucinação (as vozes alucinadas). 

A condução de uma análise de um neurótico difere da condução a ser adotada no caso de uma psicose. Daí a importância de estabelecer o diagnóstico diferencial e detectar a estrutura clínica do sujeito nas entrevistas.   

O sintoma 

A demanda por uma análise passa por uma espécie de lapidação, para que seja aceita por um analista. Aqui, trata-se da elaboração de um sintoma que seja passível de análise.

Nesse caso é preciso que a queixa trazida pela paciente torne-se uma demanda àquele analista específico (olha a transferência!).

Mas não só, durante as entrevistas preliminares, o sintoma do analisante que antes era uma resposta ao seu sofrimento, deverá passar para o estatuto de enigma. O sintoma como uma questão —“O que isso quer dizer?”  — para o sujeito que quer saber, decifrá-lo.

Tempo de compreender e momento de concluir

Essas três funções citadas acima se entrelaçam ao longo da condução das entrevistas preliminares. Uma depende da outra. Esse preâmbulo indicado por Freud e por Lacan tem a estrutura de uma análise, mas também é diferente desta.

As entrevistas servem ao analista para a compreensão daquilo que se apresenta pelo sujeito, seja o que o faz sofrer, por quê aquilo e não outra coisa o faz sofrer, a modalidade de relação do sujeito com o outro (neurose, perversão, psicose).

Mais do que isso, as entrevistas preliminares servem para que o analista também decida se quer tomar aquele sujeito como analisante. Essa é a única decisão que lhe cabe nesse momento.

Pois a transferência, o desejo de saber que leva à transformação da queixa em demanda, são movimentos que estão do lado do sujeito. No entanto, sabemos que uma análise se faz à dois.

O analista é incluído no sintoma do analisante. Um par que começa, se forma no encontro entre o analista e o analisando. Um encontro de amor ao saber.


Fonte:https://blog.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/como-se-inicia-um-tratamento-psicanalitico

REFERÊNCIAS

FREUD, Sigmund. Obras completas – Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“O caso Schrecer”), artigos sobre a técnica e outros textos (1911-1913)  Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. v. 10. 

QUINET, Antonio. As 4+1 condições da análise. 12.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.